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Série: The Office (2005-2013)

Parece difícil acreditar que o dia a dia do escritório de uma empresa de papel renda uma boa história. Ainda mais considerando que já passamos tempo demais sentados de frente para o computador. Por outro lado, para gostar de uma história, identificar-se com ela pode ser importante. The Office pode te fazer enxergar seu trabalho por outros ângulos. Mais que morrer de tédio, bater ponto todo dia permite a convivência com pessoas tão diferentes quanto possível. Permite a quebra da mesma rotina com coisas tão simples quanto trocar de cadeira com o colega. 

...ou colocar seu grampeador na gelatina.

Em The Office, Jim (vendas) e Pam (recepção) são o exemplo do que a convivência pode tornar-se. Eles comunicam-se apenas por olhares, são cúmplices em diversas pegadinhas onde o alvo principal é Dwight (também vendedor e puxa-saco do chefe) e tornam a rotina mais leve com alguma criatividade. Além de amigos, Jim e Pam dão forma ao núcleo romântico da série, escrevendo uma história paralela (e relevante) que atravessa os episódios. Essa sensação de continuidade e evolução do enredo, a meu ver, são muito importantes. 

O carro chefe da série é o humor delicado do constrangimento. Essas situações estão mais presentes nas relações humanas do que gostaríamos e o trabalho é um local propício para que ocorram, uma vez que certa formalidade é uma exigência implícita e alguns podem ignorá-la. É o caso do chefe Michael Scott, o coração da empresa. Completamente ignorante dos comportamentos acordados pelo senso comum, passeia pelo escritório dizendo e fazendo coisas que obtém por reação os rostos bestificados de Jim, Ryan (conhecido como temporário) e de outros funcionários.

Ryan olhando Michael.

Lembro de ocasiões de trabalhos em que já estive, é inevitável a associação dos fatos. A difícil relação chefe-funcionários, as reuniões que beiravam o ridículo (às vezes extremamente divertidas), as festas completamente sem noção pela camaradagem forçada ou falta de clima festivo. Esses momentos, por terem acontecido há tempos e/ou não sendo traumáticos, são muito bons para dar umas risadas. Faz bem não se levar tão a sério e perguntar-se vez ou outra o porquê desse constrangimento todo. 

Algo que dificilmente torna-se possível para os superiores é a separação dos papéis de chefe e colega, tanto partindo deles quanto dos seus subordinados. Em dados momentos, ele deve ser o chefe com seus encargos disciplinatórios e, nos demais, se relacionar com os colegas sem provocar tensões e dissimulações. Porém, Michael Scott não encontra o equilíbrio entre os papéis, ele deseja ser amigo de todos. Apesar de várias situações caricatas em torno disso (e prováveis traumas de infância do querido chefe), a crítica é válida. A solidão do cargo de chefia existe e, sendo as boas relações que tornam o trabalho mais suportável, merece atenção. Alguns funcionários da série conseguem enxergá-la e proporcionam momentos especiais de empatia. 

Michael Scott, world's best boss.

Admito carinho especial pelo mau humor imperturbável das personagens Stanley (vendas) e Angela (financeiro), pela falta de jeito de Toby (RH) e pelo jeito de Kevin (financeiro). Na verdade, todos eles são muito bons e a série já ganhou prêmios pelo melhor elenco de comédia. Fora os de melhor série, melhor atriz (Jenna Fisher, a Pam), melhor ator (Steve Carrel), melhor roteiro, melhor programa e etc. Outra coisa interessante é o formato de pseudodocumentário, como se uma equipe de filmagem estivesse acompanhando o dia a dia da empresa. Para isso, só uma câmera é utilizada e não existem aquelas risadas bizarras de fundo. Escrevo isso diretamente da terceira de nove temporadas e eu espero que dure bastante, apesar de ver, em média, quatro episódios por dia. Me divirto bastante e recomendo fortemente.

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Essa postagem foi influenciada pela vontade de recomendar coisas boas e pela tentativa de absorver melhor o conteúdo que consumo. Talvez vire rotina aqui no blog, o que vocês acham? Abraço!

3 comentários:

Daniel disse...

Show! Abraços mano veio.

Hélder Silva disse...

Você assiste, man? Saudade! Apareça!

Daniel disse...

Não mais, estou sem TV, hahaha